APROVEI! – As Reminiscências by Ernesto Cafés Especiais

Texto e fotos: Gilberto Evangelista

23/02/18

Há cerca de uns cinco, seis anos, eu estive pela primeira vez no Ernesto Cafés Especiais a convite de um amigo que me chamou para um expresso. Lembro que, na ocasião, discutimos por horas sobre uma exposição de fotografias, falamos de processos de impressão, etc. O tempo passou rápido e a lembrança ficou na memória. Desde então, não tive oportunidade de fazer outras visitas ao local. Afinal, nossa vida geralmente acontece em torno de onde moramos, trabalhamos ou na localidade onde nossos familiares e amigos vivem e, de fato, o final da Asa Sul não é um destino corriqueiro pra mim. No entanto, há cerca de duas, três semanas voltei ao Ernesto mais uma vez por motivos profissionais. E quer saber..? Que delícia de resgate emocional que tive com novas descobertas e que eu faço questão de dividir com você que está tirando um tempinho para ler a APROVEI! desta sexta-feira 23 de fevereiro de 2018.

Bom, como ultimamente venho me permitindo novas experiências nesse universo da cafeína, pedi uma prensa francesa para acompanhar a Panelinha de Pães da Casa. Para quem não sabe (como até então eu não sabia), a prensa francesa (que está em uma das fotos que fiz) reúne um processo de infusão e filtragem que resulta em uma interação mais intensa entre o café e a água, obtendo assim uma bebida rica em óleos naturais e com um pouco de pó residual. Chique né? Tava escrito desse jeito no cardápio e achei legal colocar aqui pra ficar bem claro, mas o fato é que, no final, bebemos algo que não é tão forte como o expresso da máquina, nem tão suave quanto aquele que fazemos com filtro de papel.

Ah! O grão…!!! Isso é importante falar, pois tomei o Terroá Vento Norte, cultivado na região da Chapada Diamantina (BA). Me recomendaram experimentar sem açúcar e faço a mesma sugestão aqui, pois é um ótimo “café de entrada”, risos, ou seja, uma boa opção para quem tá começando a aumentar seus conhecimentos no assunto. Doce, com torra caramelada, baixo nível de acidez e amargor, pode ir fundo que desce gostoso! Ui… ficou meio dúbio isso aqui… Agora, o que não deixou dúvida alguma foi a qualidade e o sabor das fatias de pães que vieram na tal Panelinha (batata com ervas, castanha do Pará com passas, 100% integral, figo com nozes, e brioche de amêndoas com passas e caldinha de laranja DIVINA, eis aí os diferentes tipos)…

Jesus amado! Sabe quando você come um pão e ele tá fresquinho, cheiroso, perfumado, saboroso, perfeito? Pois é, foi assim desse jeito. Agora, o estranho foi que todas as fatias, dos diferentes pães, estavam assim iguais… Estranho nada gente, o segredo é que desde as três, quatro horas da madruga os padeiros estão lá batendo, descansando a massa, fazendo ela crescer, usando os métodos artesanais da panificação francesa com toques de brasilidade pra produzir essas maravilhas que contei acima. Detalhe, a porção vem acompanhada ainda por manteiga, requeijão e geleia. Sentiu o drama?

Pra ir um pouco mais longe com a experiência, decidi comer o bolo de limão que, diga-se de passagem, me levou diretamente para a época em que eu era criança e minha mãe fazia, no meio de uma tarde qualquer, um bolo amarelo com caldinha de limão ou laranja e açúcar. Acho muito doido quando isso acontece, algo que você come te traz uma lembrança, uma história, alguém, enfim, a vida que passou e insiste em se mostrar ainda presente… e, do nada, ficamos feliz dessa reminiscência ainda estar ali. O fato, é que se eu for justo, o bolo do Ernesto é beeeemmm mais gostoso que aquele dos lanches vespertinos. Molhadinho com suco da fruta e uma grossa camada de açúcar… PUTZ GRILA (gíria dos anos oitenta que quer dizer CARAL…), bom demais. A cada garfada um suspiro e, como podem ver nas fotos, até o meu Flamingo queria avançar no último pedacinho do cake cítrico… sem chances, comi até o último farelinho.

Para acompanhar a parte doce da história, uma nova descoberta em um campo que gosto muito que é o dos cafés gelados. Sério, se bobear, bebo litros… E me foi servido então o Cold Brew True Coffee, bebida produzida artesanalmente, com grãos especiais que passam pelo processo de extração a frio, depois de uma infusão que dura cerca de 18 horas. Resultado, 67% a menos de acidez e 33% menos cafeína e um sabor leve que completou o meu ticket para o paraíso sensorial iniciado com os pães artesanais, a prensa e o bolo. Isso mesmo, fiquei por aqui mesmo, mas com muita vontade de comer os sonhos, em especial o de goiabada que (descobri) é recheado com a cascão mais maravilhosa do mundo que é a da marca Zélia. Afinal, precisava arranjar motivos para não cometer o erro de deixar o tempo passar e voltar o quanto antes ao Ernesto.

E se você tá pensando em ir lá também pra experimentar algumas das coisas aqui apresentadas por mim ou fazer você mesmo suas descobertas, eu digo vá, e se puder ainda hoje, pois começou neste dia 23/02 e segue até 11 de março, A Rota da Cafeína, evento multicultural que a casa está trazendo em sua segunda edição, justamente para difundir a cultura de chás e cafés entre seus fãs e angariar novos adeptos para o clube. Como podem ver, tem uma fotinha com a programação inteira das atividades que estão bárbaras aqui no post. No entanto, se me permitem sugerir, e claro, várias pistas já foram dadas ao longo do texto, vai rolar flashday de tatuagem temático com uma das tatuadoras que sigo há décadas no Instagram, a Bru Simões e outros artistas da cidade. Falando sobre a Chapada Diamantina enquanto produtora de café a especialista Brígida Salgado em uma das Mesas Redondas mediadas por Kelly Stein; várias seções de degustação; Cerimônia do Chá; Feira de Cafés, etc; etc; e etc. Tudo acessível também a partir do sympla.com.br/ernestocafesespeciais.

Não vou mais encher o saco e terminar logo dizendo que vários produtos do Ernesto estão disponíveis para serem pedidos no iFood por aqueles que moram nas imediações da 115 Sul e que a Rota da Cafeína marca o início uma nova jornada na casa, que está desde 2017 sob a administração de Pedro Meira e Victor Parucker, cujo desejo maior é o de estimular cada vez mais essa simbiose entre a cafeteria e seus frequentadores através da troca de ideias e experiências dessas grandes paixões compartilhadas que são o café, o chá e as boas histórias que essas duas bebidas proporcionam.

Quer experimentar?

Ernesto Cafés Especiais

SCLS 115 Bloco C loja 14

Telefone (61) 3345-4182

De segunda a domingo das 07h às 22h