APROVEI! – Capim Dourado tem boa mesa e sabores inusitados

Uma agulha no palheiro da 17ª Edição do Restaurante Week Brasília

Texto e fotos: Gilberto Evangelista

25/08/17

No último domingo (20) chegou ao fim a edição candanga de número dezessete do Restaurante Week, festival gastronômico que acontece em várias cidades brasileiras, cuja pretensão é proporcionar a descoberta de novos sabores aos amantes da boa mesa. No caso de Brasília, cerca de cinquenta endereços aderiram à iniciativa, que continua despertando o interesse do público, mesmo se alguns estabelecimentos (para não dizer a maioria) adotam a infeliz prática, que venho percebendo há algum tempo, de diminuir a porção habitual de seus pratos para participar do Festival – afinal, eles estão oferecendo por um valor “muito mais em conta” um serviço que inclui entrada, prato principal e sobremesa. Desse modo – na cabeça deles – não dá para ser generoso enquanto a conjuntura econômica brasileira não está facilitando a vida de Seu Ninguém, muito menos a dos empreendedores do ramo de gastronomia.

Enfim, economia, política e injustiça social não é o tema da coluna APROVEI! de hoje (e tomara que nunca seja). Na verdade, hoje a nossa estrela principal é o restaurante Capim Dourado, uma verdadeira agulha nesse palheiro de opções que é o Restaurante Week. Afinal, para conseguir provar tantos cardápios em um período tão curto de tempo (pouco mais de três semanas), somente se cada um de nós fôssemos sócios da família Batista da JBS e tivéssemos – assim como a Hermione da série Harry Potter – um vira tempo pendurado no pescoço. E olha lá! O fato é que, entre os menus que consegui provar, os dele foram os mais interessantes, e em todos os sentidos, inclusive na porção servida. Vale ressaltar a princípio, que eu havia me interessado mesmo era pelo cardápio do jantar, mas compromissos do dia me fizeram ir no horário do almoço. E quer saber… ainda bem que isso aconteceu, pois o que eu comi atiçou o capetinha comilão que existe dentre de mim para querer voltar o mais rápido possível. E o que foi que me serviram de tão gostoso assim para isso acontecer?

Minha degustação do almoço começou com uma inusitada Feijoada no Palito, que nada mais era do que um bolinho frito de massa feita de feijoada, recheado por grãos de feijão e carne picadinha: uma delícia deliciosa sem tamanho! Juro que deu a maior vontade de pedir uma cerveja, mas como eu estava dirigindo, tive que sofrer com a abstenção forçada. Na sequência, não menos surpreendente, veio o prato principal, Medalhão suíno com Arroz de Puta Rica e Geleia de Pêra com Pimenta Dedo de Moça. Até tinha outra opção no menu, mas é só olhar para foto aqui na matéria que vocês vão entender como não dava para pensar em nada que não fosse esse o prato divino (…embora um pouquinho menos de geleia teria deixado o sabor da carne ressaltar um pouco mais, mas tá de boa, APROVEI! assim mesmo). Pra fechar, Cuscuz de Tapioca com Calda de Doce de Leite e Sorvete de Maracujá, uma mistura tão inusitada que não dá pra descrever. Claro, o chá verde da Lipton, parceira do evento, que foi oferecido ao final, fechou a experiência com nota dez.

Quatorze dias depois, lá vou eu novamente ao Capim Dourado – de Uber, claro – para poder fazer a coisa acontecer como ‘nos conformes’, afinal, tudo aquilo que é bom fica melhor ainda com uma boa garrafa de vinho. E o escolhido da noite foi o Alma Argentino Assemblage Tinto, uma bebida de coloração vermelho rubi, aromas de frutas vermelhas como figos e ameixas, feita de um composto das uvas Tempranillo, Malbec, Bonarda e Bonamico. Alegre e jovem (safra 2016), o vinho acompanhou muito bem todo o serviço, que começou com uma Salada de Folhas Orgânicas com Carambola Grelhada e Flores Comestíveis ao Molho de Caipirinha. Veja bem, eu já comi muita carambola na vida, de muitos jeitos, já até fiz doce dela, mas a fruta grelhada ficou algo que não consigo descrever de tão bom. E o molhinho de caipirinha então? Só faltou mesmo um pãozinho junto para não deixar sobrar nada. Enfim, quando a Picanha Maturada na Manteiga de Garrafa, Alho e Ervas acompanhada por Bolinhos de Mandioca com Queijo Coalho chegou (Jesus!), quase fiz a Ana Maria e fui pra debaixo da mesa. Devo confessar que só não comi todos os alhos que vieram junto para deixar a impressão que sou uma pessoa educada. Finalizando o banquete, o Mil Folhas com Goiabada Cascão e Gorgonzola ao Molho de Queijo, sobremesa que insiste em aparecer de vez em quando à minha memória gustativa desde então. Sacanagem…

Maior “sacanagem” ainda é eu contar somente agora pra vocês que todas essas maravilhas descritas não fazem parte do cardápio da casa. Isso mesmo! Essa composição foi concebida por Luis Foschini exclusivamente para a ocasião. No entanto, pra ninguém ficar com raiva de mim, ele me contou que, além do menu regular, ele cria as “Surpresas do Chef” para que os clientes possam sair da monotonia e ter novas experiências a cada semana. Outra informação preciosa também que ele me revelou foi que os preços por lá não são exorbitantes (média de R$ 55,00 pelo serviço composto de entrada, principal e sobremesa). Uma última coisa que eu gostaria de frisar (além da decoração do lugar, que é moderna e aconchegante) é que, depois de conhecer o local, você vai mudar seu conceito sobre esse mito de que não tem graça comer em restaurante de hotel. Pode acreditar, você também vai aprovar em 100% o Capim Dourado.

P.s.: Leve algum dinheiro em espécie para pagar os 10% que não podem ser passados no cartão (pouco importa se é crédito ou débito). Tenho certeza que você vai fazer questão de contribuir com o serviço que é muito atencioso, simpático, cortês e ágil.

Quer ir?

O Capim Dourado fica no SHN Quadra 05, Bloco G, Hotel Grand Mercure, Brasília. Funciona de 2ª a 6ª feira das 12h às 23h / sábado e domingo das 12h às 15h e das 19h às 23h.

Pagamentos à vista, cartões crédito e débito. Acesso para pessoas com modalidade reduzida, adega e Wi-Fi

Reservas: (61) 3222-5350.




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