ARTIGO – Procuram-se fotos que arrepiem

Imagens clicadas sem sentimento e/ou com pouco profissionalismo são alvos das críticas de Vanilson Coimbra

Por Vanilson Coimbra

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Recentemente eu entrei no Instagram de uma amiga que não é fotógrafa e percebi uma beleza infinita em seu olhar através das fotos postadas na rede. Ela usa o seu perfil para se comunicar com o mundo, todas as suas fotos tem um ponto verde, mas não é qualquer verde, é um verde suave. Não pense que é filtro, nada disso, ela procura no dia a dia uma imagem que combine ou contenha o tal verde, uma folha, uma mecha de cabelo da menina roqueira que passou na rua, uma bandeira, enfim, ela criou uma unidade visual, um olhar, um projeto e tudo isso com um smartphone. Essa amiga, que não é fotógrafa, possui algo que falta em muitos profissionais da fotografia, que é um olhar e uma concepção realista do próprio estilo, é a capacidade de fazer o outro se emocionar com a sua fotografia.

Foi Eddie Adams que disse: “Se te faz rir, se te faz chorar, se arranca o teu coração, é uma boa imagem”. Mas como tudo, nos tempos modernos, tende a ficar massivo e superficial, na fotografia profissional parece que o caminho não é diferente. É visível o crescimento dos neo fotógrafos que ganharam uma câmera profissional de Natal ou compraram na sua última viagem, fizeram um curso básico de fotografia, leram o manual, colocaram no perfil das redes sociais uma foto empunhando o seu brinquedo fotográfico e pronto, viraram fotógrafos profissionais, recebendo glamour e contratos. O pior é ver o “newborn” vomitar verdades e esconder ou ignorar a própria limitação de enxergar, do ver. Em tempos de globalização, parece que a sua fotografia só terá valor se você tiver uma ou outra marca de câmera, se usar uma ou outra plataforma de edição de imagem. Certamente Mr. Adams iria balançar negativamente a cabeça para esses profissionais.

Fotografia, antes de tudo, é luz. Além disso, fotografia é alma e isto não dá para arrumar depois no Photoshop. De nada adianta ter uma câmera potente se a foto não arrepia. Nadar, o mestre francês da fotografia de retrato, dizia que fotografia pode ser ensinada em uma hora, a técnica básica em um dia. Mas, o que não pode ser ensinado é o sentimento de luz.

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Eu continuo navegando nas redes e vendo fotos de profissionais absortos em “modinhas”. Na contramão disto tudo, me emociono com imagens de amadores e de profissionais que admiro, que se comprometem somente com o olhar e com a emoção das suas imagens.