ARTIGO: Vanilson Coimbra fala sobre as diferenças no universo da fotografia

A diferença entre inspiração, referência, releitura e cópia na fotografia

Por Vanilson Coimbra

Foto: Google Images

Mentir é feio, jogar lixo na rua é feio, palitar os dentes é feio e nem adianta colocar a mãozinha na frente da boca, todo mundo sabe o que você está fazendo e não é a mão que vai disfarçar o seu ato repugnante. Copiar outros fotógrafos, famosos ou não, é feio e nem adianta chamar a sua fotografia de releitura, se está na cara que você copiou tudo, da luz ao ângulo, da pose da modelo ao bibelô estrategicamente posicionado no fundo da foto. Eu convivo com muitos fotógrafos e me desafio todos os dias em ser original, as vezes consigo, outras não, mas copiar descaradamente é jogar a sua fotografia no lixo, é como palitar os dentes.

Pensando nisso, vamos entender o que é cada coisa:

Inspiração é um estímulo de qualquer ordem que nos leva a criar algo. Uma música inspira, uma paisagem inspira, uma pessoa inspira e todo fotógrafo busca uma inspiração para o próximo ensaio, assim como todo artista busca inspiração para a sua próxima obra. Podemos inclusive citar a fonte de inspiração e até dar um título para a obra, revelando onde fomos buscar aquele ângulo, aquela luz, aquele olhar. Podemos nos inspirar em um detalhe, como podemos nos inspirar na obra completa de alguém que admiramos.

Referência é um estudo. Posso admirar um fotógrafo e estudar a luz, a técnica e até o ângulo. O processo inicial de qualquer estudo em cima da referência é a cópia, não tenha medo, tente reproduzir o tom de luz, o ângulo, a composição, feio é você finalizar o processo e colocar a sua assinatura. Você não pode acreditar nisso e nem tão pouco subestimar a inteligência de quem vai ver essa obra copiada. A diferença está na finalização do processo, porque referência é para começar o estudo, mas durante o processo criativo, é importante que você descubra nuances, variáveis que vão fazer sua obra única. Resumindo, você pode e deve usar um fotógrafo ou artista como referência e estudo para descobrir a própria nuance criativa, ou seu estilo.

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Releitura é um tipo de interpretação sua. Eu posso admirar, por exemplo, a atriz Marilyn Monroe e sugerir uma interpretação pessoal dela. Posso organizar um ensaio com uma modelo, roupas, lugares e até o gestual que homenageia a atriz, se eu simplesmente copio a famosa pose, caio no óbvio e coloco em dúvida o meu processo criativo, mas se me desafio a construir a imagem daquilo que eu imagino ser uma Marilyn, o que a imagem desse ícone significa para mim, posso trazer originalidade ao processo e finalmente expressar a minha visão de como é a minha “Marilyn”.

Cópia é uma reprodução, sendo mais direto ainda, cópia é cópia e vende na 25 de Março, no camelô, no site chinês. Copiar coloca a sua fotografia ao lado da cópia barata da bolsa de luxo. Você pode até ter feito tudo certinho, mas a fivelinha ordinária com um dourado vagabundo tá lá, revelando o quão medíocre é a cópia.

Eu acredito que o processo criativo, seja na arte, na moda, na música, na escrita ou na fotografia, deve andar junto com a cultura, com as historias pessoais, com a vivência de cada artista. Qualquer obra, para evoluir, precisa de paixão, sensibilidade, olho clínico, estudo e prática. Não dá para continuar vendo fotografia de grávidas fazendo coração com as mãos na barriga, recém nascidos com mão no queixo, por mais que sejam fofos, o noivo que abraça a noiva pela cintura e nem fotos de modelos no irritante fundo branco com as mãos na cintura ou no queixo.




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