#DFB2015 – Dragão que não dá peixe, mas ensina a pescar. Aprendam!

A vida pede trégua. O momento pede reflexão. A moda pede novidades. O Dragão não dá o peixe, mas ensina a pescar

Fotos:Roberta Braga/Leila Motta/Ricardo K./Divulgação

destaque_dfb_lackman

Ivanildo Nunes: emoção à flor da pele

O que sempre me surpreendeu no Dragão Fashion Brasil é que a identidade é algo constante no mercado de moda nordestino. Acredito que a dificuldade que outras praças tenham em conseguir trabalhar com o artesanato os fazem querer ir mais longe nesse meandro. Os criadores cearenses são dotados de uma versatilidade e genialidade no que se refere sonhos, que beira o impossível de se realizar: o sonho da moda brasileira de ter alta-costura em 2015 e de amadurecer a ponto de entrar no metiê das maiores grifes do mundo. Quem diria que o restante do país inteiro, um dia, teria que se render à magnitude do artesanato nordestino. Chegou essa hora!

O que era visto como referências em coleções paulistas e cariocas, hoje rege uma necessidade, a de se fazer moda com esforço e resultados que surpreendem. É, minha gente, o Nordeste – em especial o Ceará –, tem muito a ensinar.

O DFB não é pra sentar e analisar se as tendências vão ou não pegar. É pra sentir a moda na sua mais intensa serenidade. É sentir pulsação de citações em busca de sangue novo circulando nas artérias desse mercado que não para, mas que, infelizmente, está em crise criativa.

No DFB, assim como em qualquer lugar, tem estrelas com nomes difíceis e até internacionais, mas o que é relevante é o trabalho. A designer com nome pouco comum para quem nasce em 2015, Almerinda Maria foi um dos desfiles mais tocantes. Ali viu-se trabalho. Ali, viu-se detalhes e estudo. Uma mistura afinada e inteligente de rendas e tecidos finos. Almerinda precisa se manter nos holofotes e ter o devido reconhecimento nacional.

Para continuar a destacar os desfiles que deixaram marcas é necessário relembrar que Lino Villaventura faz carreira há muitos anos e nada o impede de continuar a mostrar suas misturas com cara de roupa antiga guardada e as vezes rocker-grunge-haute-couture. Lino vive um momento fitness em sua vida pessoal e isso se reflete facilmente em sua passarela. Homens com roupas rentes ao corpo nos remetem à noite paulistana com muito calor, no melhor sentido “hot-couture”.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Já entre os conhecidos e sempre presentes nomes do line-up do DFB, não posso deixar de ovacionar Lindebergue Fernandes, que fez mais um “orgulhante” desfile-protesto-lição-de-moral com roupas estilosas e estampas divertidas, tão pouco o genial Ivanildo Nunes, responsável por lágrimas que se renderam aos seus belíssimos vestidos. A mim causou um misto de sensações, visto que a inspiração em Oscar Niemeyer mexe com esse brasiliense e o trabalho minucioso de bordado geométrico remete à palavras como poder, delicadeza e elegância.

Este slideshow necessita de JavaScript.

 

Nomes batizados em São Paulo, lá pela Casa de Criadores como Weider Silveiro e Jadson Ranieri só mostram que caminham a passos largos e são siiiiim as assinaturas da moda brasileira de um futuro próximo. “Cada um com seu cada qual estilo”, eles ocuparão manchetes de jornais (se ainda existirem jornais), revistas e closets pelo país inteiro. São fenômenos, que aprendem a cada temporada como desencadear pensamentos em coleções. Vamos amadurecendo e crescendo, que o mundo é de vocês, meninos!

 




2 thoughts on “#DFB2015 – Dragão que não dá peixe, mas ensina a pescar. Aprendam!

Deixe uma resposta