Dragão Fashion virou Festival! Sorte de quem viveu essa festa

Com 18 anos, o DFB Festival evoluiu, quebrou paradigmas e já colhe louros há tempos. Eis um pouco sobre o maior evento de moda autoral do Brasil

 

Fotos: Fotos: Roberta Braga, Cláudio Pedroso, Pedro Brago e Nicolas Gondim/Divulgação

Backstage Lindebergue Fernandes

Desembarcar no Dragão Fashion Brasil e voltar com os mesmos conceitos sobre moda é humanamente impossível. Acreditar transforma-se em sentido obrigatório. Não há via de mão única quando o público ovaciona coleções até com as luzes apagadas. O agora nos parece semelhante com o passado e reescreve, claramente, um futuro promissor.

O que virá se vê no DFB, pois nada mais exato que a definição de identidade impressa em tudo o que é feito na famosa e agora “festivalizada” semana de moda de Fortaleza/Ceará/Nordeste/Brasil.

São traços de um passado que reacende debates sobre o que realmente é cultural e que se faz raiz. É o transbordar de sentimentos ocultos e emocionantes do que um dia fomos e que, brevemente, voltaremos a ser. A moda autoral defendida pelo DFB é o pilar, e no fim das contas é a cereja do bolo de uma sociedade que precisa valorizar, e mais uma vez acreditar no que temos e fazemos. Em tempo, a América Latina e suas peculiaridades já são registros obrigatórios. É tempero!

Terminal Marítimo de Fortaleza recebeu mais uma edição do DFB Festival 2017

Ver o DFB Festival de perto é abolir sentimentos de “está faltando algo na moda brasileira”. Claro que há casos de contextualização absoluta a partir de inspirações internacionais óbvias, contudo, até nisso há identificação naquelas já citadas raízes de pau-brasil.

O DFB desconstrói padrões e reafirma a construção do futuro. Havia por lá São Paulo, Bahia, Canadá, Brasília, Minas Gerais e haviam bairros, ruas e gente, muita gente, afinal foram mais de 45 mil passantes e amantes inestimáveis do panorama que a moda tem por lá.

Dragão Pensando Moda levou grandes nomes em prol da educação de moda

Calar-se pra quê, se o grito de “estamos aqui” ecoa juntamente com o “somos daqui, Brasil!”. Esse grito se fez em veludos, malhas, palha, jeans, estampas, criatividade e até em oração de agradecimento, vide Lindebergue Fernandes com sua ode ao que é santo é só que se fez santo como o próprio estilista se fez em estampas.

O DFB se tece ricamente nos detalhes pluralistas. Faz-se o DFB com suor de brasa calorosa e com essência humana. Há respeito por lá. Há sucesso também. Acredito que nada faz o DFB se igualar. Acredita-se que igualdade só existe quando há equivalência e nada é equivalente às exclusivas criações, ações e atuações que se observa no DFB.

O ar que se respira por lá é diferente. Vê-se luta, batalha, muito esforço, mas se vê arte, que na mesma proporção se mistura à moda e dá um belo e saboroso prato, que felizmente pode ser servido no Jardim das Delícias ou encontrado no Boulevard Ksa do Dragão e brindado no Ceará Sobe o Som – featured para a presença do Boss in Drama, ou incrível Péricles.

Misturas boas só são boas quando há apetite, e tenho pena de quem não o tem.

E é o tempero brasileiro que faz do DFB um marco na história da moda brasileira:

É a modernidade de David Lee, que o faz parecer um designer sem limites criativos

O classicismo primoroso em detalhes ponto a ponto de Ivanildo Nunes que, certamente um dia o levará a Paris

A leveza de Kallil Nepomuceno, mas que em 2017 se misturou com jeanswear, inaugurando uma nova era na carreira do estilista

A irreverência espanhola de Weider Silveiro com brilho e ares de moda sustentável com reconstrução e tecnologia em têxteis biodegradáveis

A sobriedade de Ronaldo Silvestre, com a arte de fazer texturas com contextos de tirar o fôlego

O Caio Nascimento e sua tenra juventude criativa que ficou para sempre na memória

E sem palavras a plateia ficou com Ricciardo Gomes e seu grito pela preservação da vida infantil e sem limites

Já Iury Costa só carimbou seu passaporte para o reconhecimento de que trabalho em acordo mútuo com inteligência traz resultados incríveis

Ou Wagner Kallieno, que transmutou imagens animalescas em uma selva usável e pôs o see now buy now em pleno presente

Aládio Marques modernizou, recortou e acertou nas proporções. Outro nome que se faz essencial à moda do país e ao minimalismo do mundo

Falando de marcas, um destaque para a Villô Ateliê, com crochê de arrepiar e com modelagens acertadas como em poucos trabalhos país afora

Esses, entre tantos outros atributos é que fazem o DFB ser inesquecível. E vale ressaltar que dezoito anos se passaram deste que Claudio e Helena Silveira acreditaram nas artesanias do Ceará.

Não há como explicar o DFB. Apenas há como sentir o DFB. Sentir em arrepios, emoções, força e se fazer acreditar que brisas surgirão como ventanias de belas lembranças do Dragão.

E já que o Brasil começou no Nordeste. Do Nordeste sairão novos “brasis”. Basta acreditar!

Plus Brasiliense

O concurso Ceará Moda Contemporânea, que teve como tema o slogan “Ceará de Corpo e Alma”, contou com desfiles de estilistas de várias partes do país, foram eles: Brayann Ivanovick, Francisco Matias, Alberto Segundo, Edilberto Sousa, Akihito Hira, João Paulo Santos, Ailton Pereira e Deyvson Freitas.

Em primeiro lugar, e premiado também pela excelência durante todos os processos do concurso, esteve o brasiliense Akihito Hira. A coleção “Vaqueiro desconstruído pela alfaiataria” venceu pelo primor que Akihito emprega em qualquer trabalho que faz. Os seis looks apresentados uniram referências nordestinas à alfaiataria italiana e arrancou aplausos de pé.

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