Pedro Quevedo é uma boa aposta para a música brasiliense

Jovem cantor e compositor lança seu primeiro álbum “Colorir Você” em show intimista no Sebinho

05/02/18

Vez ou outra é possível cruzar com ações que o destino proporciona. Alguns anos atrás escrevi uma matéria sobre a renovação musical que Brasília vivia e atravessava. Naquele momento, o rock deixava de traduzir, de maneira única, a musicalidade candanga. Nomes como Geórgia W. Alô, Tiago Nascimento, Felipe Zurk se firmavam ao lado dos talentosos (e já conhecidíssimos) Célia Porto e Rogério Midlej, e de bandas como Etno e Os Julianos – que fez sucesso, mas não seguiu adiante –, isso citando apenas alguns dos que batalhavam para manter a música viva em palcos, grandes e pequenos, da capital do país.

Anos após isso é possível condicionar Brasília a um novo momento musical. Os ‘novinhos’, hoje, já adaptados à nova cultura nacional, são grandes e promissores talentos. Diga-se isso de Pedro Quevedo, um adorável, talentoso e esforçado cantor que lançou seu primeiro álbum em um dos mais cultuados espaços da cidade, o Sebinho, na Asa Norte.

Assim como em qualquer lugar, tudo muda e pode ser revisitado, Pedro (plenamente adaptado ao novo), de maneira cool, intimista e cheio de particularidades, mostrou a que veio. Família, amigos, parceiros de trabalho (Pedro vem do teatro, com espetáculos muito bons no currículo), se espalharam pelo chão para ver o Quevedo fazer o que gosta.

Ele não canta. Ele “interpreta musicalmente” o que faz parte da sua vida. Compôs cada faixa do disco “Colorir Você”, título de uma canção pra cima, que faz a plateia encher os pulmões e cantar junto. Romantismo, prova de amor, militância e, é claro, uma boa dose de dor de cotovelo cantada após o fim de um amor podem ser sentidos por quem escuta as faixas do álbum.

Musicalmente, Pedro traz uma bagagem do teatro muito importante: disciplina e dedicação estão entre os pertences dessa carreira que acaba de dar um pontapé inicial. Leitor de partituras, vê-se ali um profissional da música. Variavelmente ouve-se vozes boas, afinadas e cheias de firulas… Poucos iniciam os trabalhos com pesada bagagem técnica. Exercícios são chatos e para Pedro, são tão essenciais como respirar na interpretação de uma canção.

Gosto do que Pedro traz e representa para a cidade. É necessário mudar, evoluir e nascer bons artistas para dar à cultura da cidade um pouco de respiro. Os bons já têm respeito, sabem o que fazem e o sucesso já é amigo. Os novos precisam ser ouvidos, curtidos, compartilhados e até virarem #TBTs.

Pedro soube dividir seu momento com propriedade. Luisa Lapa, amiga da época do teatro musical, esteve com ele em parte das canções. Parceria que também rolou com a expert Celia Porto. O show se fez um featuring engrandecedor.

Ouça “Colorir Você”

Em tempo…

Outros nomes da cidade e que batalham por lugar ao sol logo virarão hits. Fiakra e sua voz arabesca e adornada por coreografias lindas e letras que dão um grito de sobrevivência e liberdade, já é um dos queridinhos da cidade com aparições e apresentações até em rede nacional. O hit lançado a poucos dias e que já está reverberando por aí é “Nem Vem”.
Outro que merece destaque é um talentoso artista plástico, tatuador e cantor de rap, Paulo Amaro. Sua canção “Miga, melhore!” está na lista de músicas de sucesso dos mais antenados da cidade. Vale ouvir e apostar. EM breve trago matérias exclusivas com eles para que possam apreciar assim como eu.