UM MOVIMENTO MUY SEXY: Vanilson Coimbra fala sobre ensaios sensuais

Primeiro colaborador do FL, Vanilson Coimbra (*), falará sobre peculiaridades do mundo da moda e dá pontapé inicial com análise de fotos conceituais consideradas sensuais

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Lingerie, nu, sapatos altos, cinta liga, casaco de pele e um colar de pérola, tudo isso no colorido ou naquele pb com filtro pré fabricado de sonho, névoa ou fog. Isso é sensual? Quem será que inventou esse clichê na fotografia sensual. Fui buscar no Google sobre book sensual e encontrei mais de 15 milhões de notificações, por curiosidade joguei nas imagens e me assustei com o que eu vi. O famoso termo “boudoir” aparece a exaustão e acabou caindo no genérico, pouco lembra ao termo de fato designado, geralmente associado ao quarto de vestir das senhoras francesas, assim sendo, por definição, um ensaio fotográfico boudoir deveria ser produzido em um ambiente que lembrassem o quarto e as poses deveriam sugerir uma mulher se vestindo ou se despindo. Mas tudo que cai no genérico, provoca equívocos e livres associações. O fato é que hoje, oferecer um book sensual ou book boudoir é praticamente a mesma coisa.

Voltando ao Google Image, eu vi uma infinidade de estúdios e fotógrafos oferecendo o ensaio em recompensa da auto imagem, de fazer a cliente se sentir bonita. Eu me pergunto se é verdade que quando uma mulher contrata um ensaio como esse, ela se sente de fato sensual de lingerie de gosto duvidoso, poses pré-fabricadas, evidentemente copiada de alguma revista masculina, fotografada a meia luz ou penumbra e gerando uma imagem que pouco condiz com o termo sensual, mas que seria facilmente associado a termos mais rudes.

Mesmo que essa mulher queira presentear a pessoa amada, mostrar para as amigas ou documentar a sua idade, porque escolher um clichê? Quantas dessas mulheres contrataram o serviço fotográfico e se frustraram com o resultado. Não porque o serviço era diferente do contratado, mas porque não se reconheceram na foto ou simplesmente porque ficaram com vergonha de mostrar o ensaio para os demais.

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Eu quando fui estudar fotografia sensual, fui buscar referências nos grandes mestres da fotografia. Eu me lembro de buscar referências nas bancas de revistas do centro, aquelas que vendiam revistas de segunda mão e o meu interesse estava nas playboys antigas e outras revistas do gênero. Busquei inspiração na luz, na textura, na atitude, na moda, mesmo se era curioso estudar moda em um ensaio de nu. O curioso, é que poucas vezes eu encontrei nos ensaios dos grandes fotógrafos as famosas pérolas, os casacos de pele e as poses contorcidas, comumente associadas a esse tipo de fotografia.

Em conversa recente com um colega fotógrafo de Brasília, fiquei sabendo que esse é um mercado que tem crescido muito na capital, tenho recebido emails, mensagens de gente me pedindo dicas de produção, poses e até luz. A dica é evitar o clichê, investir no natural. Eu acredito que em fotografia sensual, qualquer cena pré-fabricada corre-se o risco de ficar artificial.

(*) Vanilson Coimbra é fotógrafo e administra a carreira internacional de modelos. Atualmente lidera encontros fotográficos com profissionais por todo Brasil e adora descobrir novos talentos para o mundo da moda.